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 [Entrevista] Jorge Jesus. (Parte III)

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Miccoli
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MensagemAssunto: [Entrevista] Jorge Jesus. (Parte III)   Sex 11 Abr 2008, 21:28

Por que é que uma equipa que tem como objectivo não descer, joga, geralmente, tão defensivamente? As equipas que fazem bons campeonatos jogam para ganhar e não para não perder. Não será principalmente uma questão de mentalidade?
João Carneiro (Peso da Régua)

- Ninguém joga para não perder. As equipas são condicionadas pelo valor individual dos seus jogadores e quando apresentam sistemas mais defensivos estão a basear-se nas características de cada um dos seus jogadores. Por muito que os mentalizemos de que têm condições técnicas e tácticas para jogar de igual frente às equipas mais fortes, eles no jogo não correspondem e acabam, se calhar, por jogar de forma mais defensiva pela força do valor do adversário.

O que falta ao Belenenses para poder lutar, finalmente, não pelo 5º ou 6º lugar, mas para o 1º? Trata-se “somente” de uma questão de dinheiro ou é preciso ter maior influência e peso na Liga e junto da Comissão de Arbitragem?
Rui Manuel Almeida (Lisboa)

- Falta ao Belenenses capacidade financeira e também ter uma massa associativa que consiga colocar em todos os jogos em casa, pelo menos, 10 a 15 mil pessoas. Sem isso, dificilmente alguma equipa se pode comparar aos 3 grandes.

Quando chegar a um grande (acredito que chegará) penso que será possível continuar a recorrer a tiradas como a famosa: “com uma equipa dessas dou-te 3 de avanço”, ou terá que moldar o discurso para ter uma boa imprensa e, em consequência, menor pressão?
Otelo Magalhães (Rio Tinto)

- Essa frase foi uma resposta ao treinador do Real Madrid, na pré-temporada, e visou destacar as qualidades individuais dos jogadores dele face aos do Belenenses. Não tenho a certeza, porque nunca treinei uma equipa de topo, mas se treinar, penso que o meu trabalho vai ser mais realçado com o facto de atingir os objectivos da equipa. Direi sempre o que penso, aliás, não me preocupo com o que os outros pensam. Tento ser sempre verdadeiro na mensagem, embora possa errar, mas digo o que digo por convicção e paixão.

Quais foram, até ao momento, os pontos fracos e pontos fortes do Belenenses? Quais os jogadores que possuem mais influência no balneário?
Rúben Mateus (Aveiras de Cima)

- Pontos fortes: a valorização do conhecimento de todas as acções que a equipa tem, quer em termos defensivos como ofensivos. Hoje, todos os jogadores sabem o que têm de fazer. Ponto menos forte: a facilidade com que a equipa chega à zona de decisão e depois não valoriza todo o outro trabalho que ficou para trás, ou seja, fazemos o mais difícil e depois não valorizamos a acção em termos ofensivos. Jogadores influentes há vários. Desde logo os 5 capitães escolhidos pelo grupo.

É sabido que todos os anos o Belenenses é “obrigado” a construir uma equipa quase a partir do zero visto que todos os anos algumas das mais valias são vendidas. Especula-se que no próximo campeonato o Belenenses não irá poder contar com Ruben Amorim e Rolando, duas das mais valiosas peças na estratégia da equipa. Acha que vai conseguir montar uma equipa tão ou mais competitiva que a deste ano?
André Muchagata (Carnaxide)

- Construir uma equipa tem sido o meu trabalho todos os anos, nunca trabalhei em equipas ricas. Tenho fomentado activos em todas as equipas que podem, depois, ser rentabilizados económica e desportivamente. Para o ano, com a saída desses jogadores será, novamente, minha tarefa e meu gozo formar e descobrir novos talentos.

O Belenenses quando joga em casa não consegue ter um público “decente” nas bancadas. Por que é que acha que acontece isto? Que mensagem pode dar aos adeptos do Belenenses de forma a que os jogos tenham mais espectadores?
Alexandre Pereira (Carcavelos)

- Não sei o que dizer. Sei que o Belenenses já teve 30 mil sócios pagantes e neste momento tem apenas 6 mil e aí está uma questão com a qual o Belenenses vai ter de deparar-se nos anos mais próximos, se quiser fazer parte da elite. Como o vai fazer? Desportivamente, tem de justificar mais presenças no estádio.

Como é que se consegue motivar uma equipa que esteve uma semana inteira a trabalhar com o objectivo de alcançar uma vitória e depois não a consegue por culpa de erros dos árbitros?
Luis Carolas (Linda-a-Velha)

- Durante a semana temos de estar motivados para o que estamos a fazer, para desenvolver as nossas capacidades individuais e colectivas. O principal é trabalhar com muita paixão. Depois, se durante um jogo a realidade for desvirtuada em função dos erros do árbitro, mais força temos de demonstrar na semana seguinte para podermos recuperar o que perdemos por má decisão do árbitro, mas nunca justificando que os inêxitos se deveram ao árbitro e não aos erros da equipa.

Sendo um confesso admirador das novas tecnologias, qual a real importância que dá ao vídeo como forma de estudon do adversário? Considera-o uma ferramenta de trabaho imprescindível nos dias que correm, para ter sucesso no futebol actual?
Nuno Santos (Odivelas)

- O vídeo e outras tecnologias são fundamentais na observação e estudo da equipa adversária. Hoje, os treinadores que não conhecem a ciência do jogo, conseguem, pelos meios audiovisuais obter um conhecimento mais próximo daquilo que acontece no jogo, podendo dessa forma não ficar tão longe daquele treinador que consiga aperceber-se melhor dos erros e virtudes da sua equipa.

Ao assistir aos jogos do Belenenses vejo-o a dar espectáculo. Gostaria de saber se o espectáculo acontece meramente quando vive o jogo ou é assim naturalmente?
Luis Lambo (Maputo, Moçambique)

- A minha forma de estar no banco é completamente diferente daquela que tenho no dia a dia, fora do futebol, porque nos treinos é a mesma coisa.

Por que insiste a maioria dos técnicos portugueses em não desenvolver a componente velocidade nas metodologias de treino e que tem como consequência o triste espectáculo que o nosso futebol dá em comparação com o futebol anglo-saxónico? Um jogador mesmo “tosco” não tirará vantagem competitiva se aplicar velocidade na sua acção sobre a bola?
Luís Marques (Lisboa)

- A velocidade do jogo não tem muito a ver com a metodologia do treino individual, mas sim como o colectivo dá velocidade com ligação entre a execução e a intensidade, ou seja, só há velocidade de jogo quando existe ritmo e intensidade. São componentes que tem de ser trabalhadas nos aspectos colectivos e então se vai haver mais velocidade num jogo ou não, já tem a ver com os valores individuais. Quanto melhor for o jogador, mais velocidade vai dar ao jogo. Mas não há velocidade de jogo com “toscos”.

Quando jogou com o Bayern Munique, o que disse aos seus jogadores? Acreditou que era possível ganhar?
Eduardo Ribeiro (Braga)

- A minha mensagem para a equipa foi: tínhamos capacidade para dificultar a eliminatória se conseguíssemos estar bem numa componente fundamental do jogo. Tínhamos de revelar uma grande capacidade a nível estratégico e táctico perante a valia técnica dos jogadores do Bayern. Com estas duas componentes podíamos reduzir as diferenças entre as equipas. Foi o que aconteceu, não totalmente, mas em boa parte do tempo de jogo.

No outro dia ouvi Carlos Carvalhal dizer que o trabalho dele no Vitória era o de um manager, à inglesa, e não de um treinador como é normal em Portugal. É assim o seu trabalho no Belenenses? Se não é, gostaria que fosse?
Vasco Silva (Barreiro)

- O meu trabalho, sob a presidência de Cabral Ferreira, foi sempre de total liberdade para estruturar toda a parte do futebol profissional, não só administrativa como técnica, passando por todo o futebol de formação, dentro de um patamar financeiro pré-estabelecido.

Gostaria que me explicasse o porquê das contratações de Hugo Leal, Marco Ferreira e Jankauskas. Sejamos francos: para além de não serem mais-valias, são jogadores caros para as possibilidades do clube.
Ricardo Carvalho (Lisboa)

- O Hugo Leal tem-nos feito imensa falta. É um jogador de grande categoria e que não tem tido sorte no que a lesões respeita, não só ao longo da carreira como na presente temporada, já que teve de ser operado aos ligamentos do joelho. Marco Ferreira e Jankauskas são casos diferentes. Ao ser confrontado com a impossibilidade de contar com o Meyong, mesmo sob o fecho das inscrições, tivemos de encontrar alguém e a escolha recaiu sobre o Jankauskas. O Marco Ferreira já o conheço desde os tempos do V. Setúbal e acredito que o posso recuperar, como fiz cm outros, mas também ele tem tido algum azar com lesões.

Acha que vale a pena trocar o Belenenses pelo Sp. Braga ou V. Guimarães? Não quero ir pelo historial, mas trocaria só pelo dinheiro?
Nuno Andrade (Barreiro)

- Dos 3 clubes que refere, já treinei 2. São todos grandes clubes e asseguro que não trocaria o Belenenses por nenhum deles só por razões financeiras. Poderia fazê-lo se desportivamente tivesse algo a ganhar.

Por que é que se tornou num treinador tão estudioso, ao ponto de fazer avaliações diárias sobre os treinos e os jogadores e o seu respectivo rendimento? O que lhe “facilita” esse estudo diário?
Tiago Dias (Almada)

- Facilita-me o meu conhecimento como treinador. Ao ver confrontados os meus conhecimentos com a realidade do treino obtida através do resultado dado pelos meios audiovisuais, posso analisar se o treino foi dirigido ou não para os objectivos a que me propunha. Com isso posso melhorar o treino e o meu conhecimento como treinador.

Prepara a táctica em função do adversário ou é sempre a mesma e o adversário é que tem de se adaptar ao modelo de jogo do Belenenses?
Alfredo Mestre (Colónia, Alemanha)

- Defendo que a táctica é a ciência do jogo. Temos de jogar essa mesma táctica em função das acções que o jogo nos vai dando. A táctica é preparada de duas formas: a que se prende com os nossos movimentos e a que se prende com os movimentos adversários. Se por antecipação não se conseguir saber qual será a movimentação do adversário, teremos de possuir a capacidade de análise no momento do jogo para a podermos confrontar.

De quem acha que é a culpa no caso Meyong?
Sebastião Falcão (Lisboa)

-De todos menos do jogador. Todos tiveram responsabilidade, menos ele porque não é obrigado a conhecer a legislação. Mas o que mais me preocupou foi a falta de solidariedade para com Carlos Janela. Foi a forma de toda a gente se desresponsabilizar.

Manuel Cajuda disse que era do Benfica desde pequenino. Em relação a si: qual é o seu clube?
Miguel Ângelo Morgado Pereira (Lamego)

- Estrela da Amadora.

Por que razão o Zé Pedro joga sempre com mais rigor táctico do que o Silas?
Georgino Barreto (Barreiro)

- São dois jogadores completamente diferentes. Ambos importantes individual e tacticamente, mas com responsabilidades diferentes na equipa. O Zé é um jogador importantíssimo não só na estratégia táctica posicional, como na estratégia táctica do jogo. O Silas é importante na estratégia táctica do jogo e é o meu adjunto dentro do jogo.

A minha questão prende-se com a época que se avizinha, isto é, que Belenenses poderemos esperar, tendo em conta os cortes orçamentais que irão ser feitos? E já agora, com tantos cortes, espera continuar? Não será isso um revés no que vinha projectando para o Belenenses?
Sérgio Sousa (Costa da Caparica)

- O Belenenses tem forçosamente de ser, sempre, uma equipa para ficar nos primeiros seis classificados, não só pelo seu passado, mas pela exigência que os sócios têm perante a equipa. Quem fugir dessa responsabilidade vai ter sempre a massa associativa contra a sua equipa.

O que aconteceu ao Eliseu não deveria ter acontecido também com o Rolando e Ruben Amorim, ou seja: não queres renovar, não jogas mais até ao fim do campeonato?
Mário Gualdino (Amadora)

- Não. Foi uma situação com a qual me deparei. A administração da SAD achava por bem tentar tal processo com esses dois jogadores, pensava ser possível convencê-los a renovar. Eu, pela experiência vivida no passado, nomeadamente com o Eliseu, disse que não devíamos colocar em causa os nossos interesses desportivos. Podíamos fazê-lo mas no final do campeonato eles sairiam na mesma, como aconteceu com o Eliseu. Assim, tomei a decisão de não prejudicar os jogadores nem o Belenenses

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